Músculos Pélvicos Fracos ou Tensos?


De acordo com a organização canadiana de Fisioterapia, "Pelvic Health Solutions", a maioria das pessoas com disfunções do soalho pélvico tem sobretudo muita tensão nos músculos, isto é, uma hipertonicidade que provoca muitos desalinhamentos e problemas crónicos associados, inclusivé incontinência urinária.

Segundo a abordagem clássica, suportada durante décadas pelos trabalhos do Dr. Kegel, em que se explora sobretudo uma tonificação pela contracção dos músculos urogenitais posteriores e inferiores, qualquer desequilíbrio pélvico tem sempre uma hipotonicidade ( musculatura enfraquecida) associada, pelo que a terapeutica convencional aplicada desde sempre, quer a nível da fisioterapia, quer a nível do exercício físico, concretamente nas aulas de Pilates ( nas vertentes adaptadas do método), seria a Contracção dos músculos, fosse qual fosse a origem e o tipo de problema.

Carolyn Vandyken, fisioterapeuta de renome mundial e autora de " Why Pelvic Pain Hurts", assegura que há dois tipos de tonicidade muscular pélvica e que , consoante o caso, se deverá escolher procedimentos e terapias bem diferentes. A autora afirma mesmo que os exercícios Kegel, como tradicionalmente são ensinados, podem de facto ser até prejudiciais, se não forem feitos correctamente.

Os Músculos Pélvicos (MP) são como uma cama elástica que tem a capacidade de suporta os orgãos internos, como a bexiga, útero, prostata e recto, contraindo para conter os fluídos da urina e fezes, mas também são capazes de relaxar e alongar para permitir o esvaziamento da bexiga, ter relações sexuais saudáveis e sem dor e dar à luz um bébé.

Quando os MP tem demansiado tensão ( Hipertonicidade) frequentemente podem causar dor pélvica ou incontinência urinária, tal como o músculo trapézio tenso ( na base do pescoço) pode causar dor de cabeça, sensação de "trazer o mundo às costas" ou dor crónica dos ombros. Isto é, demasiada tensão no corpo, não permite a libertação de energia, acumulando-a cada vez mais profundamente no corpo, trazendo dor, desequilíbrios e doenças.

A capacidade de relaxar os músculos é crucial para a recuperação da sua funcionalidade e, sobretudo, importante para a consciência da sua importância na biomecânica corporal, nas emoções e na energia global do corpo.

Acima de tudo, os MP deverão ser tão fortes quão flexíveis para que o impacto das forças exteriores e interior se dilua na sua malha elástica e forte.

Acima de tudo, os MP sabem que é tão importante dar como receber da vida...

A Fisioterapeuta Nelly Faghani do Pelvic Health Solutions, apresenta uma série de sintomas e propostas de tratamento para cada um dos casos, seja Hipertonicidade ou Hipotonicidade.

Sintomas de Hipertonicidade dos MP

- necessidade de ir muitas vezes à casa de banho

- dor ao urinar ou esvaziamento incompleto

- obstipação

- dor na articulação sacroilíaca e lombar, ancas e região urogenital

- dor ciática

- dor nas relações sexuais, no orgasmo e na estimulação sexual

- sentimento de medo e insegurança

- ciclos menstruais desregulados e endometriose

A acumulação de stress na região pélvica pode então determinar problemas físicos, emocionais e energéticos a nível geral e é importante esta visão integral que reuna várias pontes entre vários métodos. Deste modo, há alguns aspectos importantes a reter quando se escolhe uma terapia, método ou exercício:

1. Respiração: Reverse Kegel ou "Downtraining"

De uma forma geral, a respiração é condutora de energia, isto é, respirando "bem" ela é capaz de " abrir caminhos, desbloqueando tensões fundas ( que de outra forma seria difícil controlar).

Para além disso, músculos funcionais e sem dor, tem que , primeiramente, estar relaxados, para depois cumprirem bem a sua função. E a respiração correcta, para estes casos de tensão, poderá ser a principal ferramenta.

Assim, os Reverse Kegel são como uma sensação de "deixar cair os músculos", semelhante à sensação de se ter esvaziado completamente a bexiga, sempre que se inspira.

Na inspiração, deverá ter-se a sensação de "encher" completamente a zona pélvica, a barriga e o tórax, baixando o diafragma abdominal e urogenital ( este é na realidade o processo natural e biomecânico da respiração).

Na expiração, apenas deixar o ar sair com naturalidade sem forçar

2. Exercícios

Pilates e Yoga poderão ser outra das ferramentas para desbloquear tensões e mobilizar as estruturas articulares pela constante alternância entre força e flexibilidade do corpo, com especial ênfase na respiração completa descrita.

Para além disso, os exercícios são controlodas, sentidos e pensados com tempo e espaço próprio para que a consciência corporal de cada um seja explorada cada vez mais profundamente e seja capaz de influenciar as decisões da própria vida.

Sintomas de Hipotonicidade dos MP

- lascidez dos músculos urogenitais

- prolapso dos orgãos pélvicos e recto

- incontinência de esforço

- passividade perante a vida, " dar o poder aos outros"

- ausência de prazer nas relações sexuais

- ciclos menstruais desregulados

Para estes casos de hipotonicidade, sabendo que são a minoria dentro dos problemas pélvicos, é importante proceder a uma tonificação muscular:

1. Respiração: Kegel

Para os casos de hipotonicidade, as contracções dos músculos pélvicos durante a inspiração ( não mais que 6 repetições seguidas, seguindo o dobro do tempo em respiraões de descanso) deverão ser feitas, mas sempre com a noção de ser um processo "anti-natural" da respiração, dái que se recomende um tempo restrito de trabalho conjuntamente com os exercícios de tonificação geral de corpo

2. Exercícios.

Qualquer trabalho de estabilização pélvica será muito recomendado neste problema, pois evita amplitudes exageradas de movimento que possam agravá-lo ainda mais.

Exercícios de Standing Workout isométricos como no Yoga ou todo o trabalho de isolament pélvico de Pilates poderão ser outro complemento aos clássicos kegels localizados apenas na região urogenital

O mais importante é que cada um consiga identificar, com ajuda de profissionais, qual o problema que realmente o afecta e dessa forma trabalhar o método mais adequado.

Apesar de ser um problema muito comum, este assunto não é ainda discutido com abertura na comunidade médica, científica e geral, pois como refere Amy Stein no seu " Healing Pelvic Pain Naturally", ainda se vive numa sociedade muito puritana, onde a zona pélvica , por excelência a zona da criação de seres humanos, do prazer e da abundância, é remetida para uma inconsciência colectiva, quase uma amnésia geral dessa sua função primordial...

Cabe-nos a nós todos, descortinar das brumas da memória colectiva e das entranhas do nosso corpo esta sabedoria inata que nos acompanha sempre...

Marta Conceição, The Element Studio


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