O Corpo no Outono


Os nossos corpos estão profundamente ligados aos ciclos da Natureza e têm uma especial capacidade de se adpatarem a essas mudanças sazonais.

O Outono tem uma energia particular.

Ele representa a Morte de um ciclo que tem vindo a evoluir desde o Inverno último, para agora deixar morrer, transmutar, tudo aquilo que não serve mais.

As folhas caem secas e amarelecidas, o cabelo cai, o cansaço instala-se nos ossos que teimam em ficar mais doridos e o espírito questiona velhos padrões, velhos relacionamentos e velhas estruturas que não nos nutrem mais.

É o fim de um ciclo, mas não do modo linear como geralmente o nosso pensamento se estrutura. É um fim que se liga a um novo início, pois aquilo que cai ao chão é transformado para servir de alimento à nova semente que nos próximos meses nascerá dessa terra fértil.

O corpo também ele é sábio e não é por acaso que pede mais energia para este "detox" interno, porque efectivamente é um processo profundo tanto a nível celular como emocional.

Para que o Outono do Corpo proceda então a uma eficaz desentoxicação convém prestar atenção aos sinais que ele nos vai dando.

Seguem então, algumas dicas para nos sintonizarmos com o corpo nesta fase.

Exercício físico:

- a mobilização das articulações é uma das melhores formas de manter a circulação dos líquidos no corpo, que ajudará no trabalho de eliminação de toxinas, mesmo aquelas substâncias mais profundas que se depositam e cristalizam junto aos ossos;

- as torsões do tronco devem ser mais acentuadas nesta fase do ano, pois trabalham o sistema linfático, os orgãos internos e o alongamento dos músculos, facilitando o "detox";

- por sua vez, um trabalho respiratório mais consciente é importante para tonificar as mucosas internas e manter a circulação de oxigénio no sangue;

- a alimentação deverá acompanhar naturalmente aquilo que a Natureza nos oferece nesta altura do ano, pois a sabedoria de milhões de anos estará sempre à frente de qualquer teoria ou moda nutricional;

" Arrumar as gavetas da mente"

- se nesta fase do ano, voltamos a reorganizar as gavetas com a roupa mais quente, podemos metaforicamente organizar também a mente eliminando ideias, padrões, projectos, situações e preconceitos que estão estagnados, "mortos" e que já não servem. É uma fase que convida a "olhar para dentro", escrevendo, meditando ou qualquer outra forma que nos faça observar a nossa própria vida;

- "pára o relógio", dar tempo para que o silêncio nos traga imagens e sentimentos daquilo que já não interessa, pois não é na correria do dia a dia que podemos ter acesso à nossa intuição e voz interior;

- dar espaço ao dia para que possamos pegar nas nossas "folhas mortas" e devolvê-las à profundidade fértil do nosso espírito para que ele consiga transmutar a energia de morte em renascimento para um novo ciclo.

O Outono é a última fase do ciclo solar, segundo as tradições ancestrais europeias e desde tempos imemoriais, muito antes das religiões, os homens e mulheres alinhavam os corpos pelo relógio da Natureza.

Voltar a ligar a nossa consciência com os ritmos naturais da Terra é devolver ao corpo a dignidade e a sabedoria interior com que sempre teve contacto, mas que a sociedade moderna ocidental há muito que separou.

Cabe-nos, pois, re-ligar essa sabedoria que habita dentro de nós...


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