Ombros. Quando a dor ataca.


"Parece que tenho o mundo às costas!"

Esta e outras expressões que simbolizam tão bem a sensação de peso e dor nos ombros ou pescoço são cada vez mais recorrentes nos dias de hoje.​ São na verdade as queixas mais frequentes de muitos alunos nas aulas de Pilates.

De facto, poderá haver vários factores que contribuem para este problema e que afecta profundamente a qualidade de vida:

1- A Postura ao Computador, Smartphones e Tablets

Sem dúvida que nos últimos 5 anos, a mudança das tecnologias veio mudar a forma como nos posicionamos em frente a uma secretária ou a usar um telemóvel.

Se antes, os computadores seriam para uso menos recorrentes e estavam numa posição ao nível dos olhos, os portáteis vieram sem dúvida trazer liberdade de trabalho, mas exigiram um reajuste ao nível do campo de visão, baixando significativamente o ângulo dos olhos para baixo.

Consequência: um sobrealongamento dos músculos do pescoço e da coluna cervical que resulta num esforço acrescido aos ombros para que se estabilizem.

Para além de que, sabemos bem que, com um portátil, podemos deixar as cadeiras da secretária e deitarmo-nos no sofá a trabalhar nele, na pior posição possível, o que só vai piorar as coisas...

O telefone, que há bem pouco tempo só servia para fazer chamadas, tornou-se sem dúvida um pequeno computador ligado ao mundo e às redes sociais, convidando-nos a toda a hora a consultá-lo e a relacionarmo-nos com todos.

Consequência: a cabeça cai para baixo e para a frente, curvando as costas e, mais uma vez, o pescoço e os ombros sujeitos a tensões muito grandes ( e durante muitas horas).

Os tablets, tão do agrado das crianças e jovens como entretenimento enquanto esperam no restaurante pela comida, estão também a conquistar largamente terreno e mais uma vez a exigir que os olhos, ombros e a coluna se dobrem para a frente demasiado, ainda por cima em idades tão jovens.

Voltar a olhar o céu e ver de que forma é que as nuvens se apresentam naquele dia é uma forma feliz de prevenir ou reajustar este problema.

Voltar a falar nos olhos e fazer "like" com o dedo polegar ao vivo e a cores para os nossos ( verdadeiros e reais) amigos.

Limitar as horas de trabalho ao computador. Fazer pausas. Esticar a coluna de hora a hora.

Espreguiçar os braços bem para o alto.

Deixar as crianças rodopiarem e subir às árvores. Deixá-las sujarem-se na terra.

Dançar. Relaxar. Viver. Criar.

2. Assumir demasiadas responsabilidades

Ou aquilo que não é nosso. Que não nos pertence.

Simbolicamente, os ombros "carregam" a vida e fazem dobrar o corpo com o peso da responsabilidade.

Há informação neuromuscular que se liberta para a zona do pescoço quando efectivamente assumimos muitas tarefas e responsabilidades ao mesmo tempo.

Família, emprego, vida pessoal num ritmo de vida alucinante causa um autêntico " nó cego" ao cérebro que descarrega para esta zona do corpo, qual Atlas a segurar Mundo aos ombros, no imaginário grego.

Não nos apercebemos disto, mas sentimos de alguma forma.

Saber libertar, desapegar, largar padrões negativos é pois uma tarefa de uma vida inteira, porventura.

Mas, tomar o primeiro passo, tomar consciência de que provavelmente estaremos "metidos em coisas as mais", mesmo naquelas em que não deveríamos, é com certeza uma medida segura para reverter alguns processos de "apego".

Parar o relógio. Vir cá fora. Respirar e não fazer nada.

Uma sensação única, garantidamente!

3. Abafar as palavras

A tensão nos ombros e no pescoço podem também denunciar bloqueios no chacra da larínge, o canal energético da comunicação e da expressão por excelência.

Quantas palavras silenciadas pelos outros ou retidas pela nossa própria vergonha e receio de exposição não estarão realmente bloqueadas nesta zona?

Todos nós, em diferentes níveis certo, experimentamos isto em alturas da nossa vida.

Em muitos casos, a vida inteira.

A respiração é a melhor ferramenta para começar a trabalhar a energia desta zona.

Encher os pulmões, verbalizar, escrever, criar, olhar, expressar pelo corpo.

Ninguém tem a capacidade de nos silenciar. Apenas nós, a nós mesmo!

A visão mais integral dos nossos estados de saúde poderá ser um caminho para um conhecimento mais profundo do Todo que somos.

E há tanto para conhecer.


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